Publicado em comentário literário

O Conto da Aia – Margaret Atwood

O CONTO DA AIA se trata de uma distopia que foi publicada no final dos anos 80, ganhou recentemente mais fôlego com a série inspirada na obra a “The Handmaid’s Tale” apresentada pelo serviço de streaming HULU.

Os comentários atuais sobre a trama contextualizam, em maioria, o governo Trump nos EUA; não discordo desse enlace.

A trama se passa em um mundo pós guerra onde é instaurada uma nova república chamada, Gilead, os primeiros comandos dessa reforma são a suspensão de TODOS os direitos individuais femininos, com isso, a mulher passa a ser vista como propriedade de uma classe masculina abastada, as mesmas eram alocadas em castas, as que não podiam mais ter filhos, serviam nas casas, eram as “marthas”, já as que eram jovens e podiam carregar o mais alto estado de divindade que era a gravidez, eram as “AIAS”, tudo isso amparado por um ar de cristianismo exacerbado. A história é retratada por uma mulher “chamada” OFFRED, uma AIA, oque o livro conta sobre a realidade da época é totalmente limitado a uma pessoa em especifico, as aspas querem dizer que o nome dessa mulher não é este mesmo, porém as mulheres perderam seus nomes reais e eram rotuladas com o of = DE e o nome do homem a quem pertenciam Fred= OFFRED (DIABÓLICO NÉ !!!!!) .

Assuntos como o feminismo, o machismo, a liberdade de expressão, o sexismo e o caráter dual que a religiosidade pode tomar, são claramente retratados em trechos da obra, com uma linguagem clara e bem detalhista (em alguns trechos me via em tantos detalhes que lembrava de Machado de Assis) me fazia viajar naquele sistema, é incrível como a autora conseguiu ser crítica e envolvente dentro da mesma trama

O livro retrata várias situações que me deixaram apavoradas ao imaginar “ mds, isso realmente pode vir a acontecer”  , não é uma surpresa que a obra tenha ganhado além de uma série, um Emmy e um Golden Globe.

MESMO sendo escrita a bastante tempo, trata de problemas super atuais demonstrando com clareza que a vida é um ciclo que de tempos em tempos se repete, de maneiras diferentes, mas sempre se repetem. FORÇA, AMOR, LIBERDADE são as frases que cercam a obra.

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Publicado em Listas, livros para 2019

Livros para 2019

Todo inicio de ano faço uma listinha das obras que quero/preciso ler durante o ano, não necessariamente serão as únicas obras que lerei no ano inteiro, mas ajuda a querer bater uma meta e assim um desafio de leitura.

NÃO costumo ter nenhum critério para escolher os gêneros, escolho os que me chamaram atenção, mais comentados, indicações e por ai vai.

SEGUE A MINHA LISTINHA DE 2019 :

1º PAI CONTRA MÃE- MACHADO DE ASSIS

2º O ALIENISTA – MACHADO DE ASSIS

3° NA COLONIA PENAL- FRANZ KAFKA

4º O SENHOR DAS MOSCAS- WILLIAM GOLDING

5º O CONTO DA AIA – MARGARET ATWOOD

6º O QUARTO DE DESEJO- CAROLINA MARIA DE JESUS

7º POEMA EM LINHA RETA- FERNANDO PESSOA

8º DUAS FORMAS DE PENSAR- DANIEL KAHNEMAN

9º RETÓRICA- ARISTÓTELES

10º A COR PÚRPURA- ALICE WALKER

11º O SOL TAMBÉM É UMA ESTRELA- NICOLA YOON

12º ORIGINAIS- COMO OS INCONFORMISTAS MUDAM O MUNDO

A meta é do ano inteiro, MAS quero muito terminar esses 12 no primeiro semestre de 2019, caso consiga virei aqui com outra listinha para o segundo semestre deste ano.

OBS: vai sair post sobre todos esses livros assim que eu os ler.

Publicado em comentário literário

COMO AS DEMOCACIAS MORREM – Steven Levitsky e Daniel Ziblatt

Nunca li um livro internacional tão brasileiro quanto esse. Como as democracias morrem  conta a história da política norte americana, seus percalços e suas vitórias, com o fim de explicar como que se chegou aos EUA que temos hoje.

A obra passa por todos os momentos politicos com um ar de imparcialidade uniforme, relata depoimentos e situações como sem relevância para quem o escreve, porém, quando chega na atualidade, mais precisamento no governo Trump, uma enxurrada de ponto de vista adentra as linhas do livro.

(lembrando que isso é uma crítica então afirmo isso com base na minha opinião e leitura )

Tirando o tapa que a reviravolta do imparcial x opiniao clara que ouve no texto, achei um livro incrivel pois explora as fraquezas institucionais de um pais que tem sido, durante muitos anos, mistificado como invencivel, exemplo de progresso e com a obra vemos que nem sempre foi assim e que hoje tambem não é, mostra que muitas opiniões que temos sobre os EUA são equivocadas, fruto de uma midia que exalta apenas as qualidades de forma exacerbada e cria uma ilusão internacional do pais em questão. Gostei muito de como ele falou sobre o escândalo NIXON de Watergate, não é qualquer americano que consegue dissertar sobre tal assunto com a “leveza” com a qual a presente obra se expressa.

Três pontos que o livo alerta me chamaram atenção e acenderam a luzinha na minha cabeça sobre o momento politico brasileiro atual,

1° JUNTAR FORÇAS ; 2° NÃO FECHAR OS OLHOS; 3º NÃO ACHAR QUE CANDIDATOS REPRESSORES PODEM SER DOMESTICADOS

A não observância desses pontos fizeram com que os EUA começasse a viver a derrocada politica atual, em qualquer democracia se os partidos não se protegerem contra certos perfis ideológicos, o risco da morte democrática é eminente. É de se levar a seguinte reflexão: Se os EUA, que sempre tiveram um sistema politico que os protegia de candidatos e mandatos retrógrados como o de Trump falharam, oque será de um governo parecido no Brasil, onde nossa politica sempre foi vista como uma grande patifaria de corrupção.

Publicado em Resenha

O Alienista – Machado de Assis

Machado de Assis ta predominando no meu caderninho de leitura nesse 2019, mas não poderia ser diferente já que sua visão critica sempre me prendeu muito a atenção.

Vamos lá!, a obra conta a estória de um médico chamado Simão Bacamarte que detinha um enorme e claro amor pelos estudos e pela sua profissão, por causa do seu foco veio a se casar tardiamente com uma mulher que pouco o interessava, apenas pela sua boa saúde a qual o DR. acreditava que faria com que ela a desse um filho, filho esse saudável e inteligente. Porém, Simão teve uma grande queda quando ao passar dos anos sua esposa não conseguiu conceber um filho, mesmo com tratamentos que o mesmo havia ministrado, com isso, o DR. Bacamarte se voltou como nunca antes a seus estudos, especificamente a parte da psicologia e criou oque foi chamado de Casa Verde, uma espécie de manicômio para tratar os loucos da cidade.

Não teria nada de mal nisto, apenas que os ali internados não eram em sí loucos mas possuiam certos traços de personalidade fortemente arraigados em seus atos, com o tempo grande parte da cidade havia sido enclausurada na casa verde por ser considerada louca, pessoas das mais respeitadas haviam ganho esse titulo, mesmo com as revoltas lideradas por alguns a influencia de Simão Bacamarte era enorme, oque fez com que essa opressão durasse bastante tempo, até que o DR. se pegou em uma contradição sobre oque ele considerava loucura e ao soltar todos os presos viu que, no final, o louco era ele, e então se trancou solitário a casa verde e nunca mais foi visto.

BOOOOOM, que conto meus amigos, que conto. Me vi presa do inicio ao fim na trama, indico demais essa obra pois tem uma critica forte sobre oque consideramos como verdade universal, sobre respeito ao lugar do outro e sobre aceitar diferenças, ou seja, tudo que a sociedade atual precisa entender.

Publicado em comentário literário, Resenha

PAI CONTRA MÃE – Machado de Assis

Considerado um conto por alguns e um livro por outros, minha opinião é de se tratar de um conto, levando em conta o próprio formato do texto, mas chega de achismos e opiniões e vamos a estória.

A trama conta a história de Cândido Neves, que casado precisa prover o sustento de sua família, quando sua mulher se vê grávida, ambos se mantém positivos acreditando que Jesus os iria ajudar a prover o sustento, já a tia da esposa de Cândido encara como algo terrível ( creio eu que ela era a mais realista do metro quadrado), sem se identificar com nenhuma profissão o pai de família decide se torna caçador de escravos, detalhe importante sobre a trama é que se passa no tempo onde a escravidão era legal e significava lucro, com isso, ele sai a procura de escravos diariamente, porém acaba com as tentativas frustradas, oque resulta em meses de aluguel atrasado e dificuldade em pôr comida na mesa, visto que não conseguiria sustentar um filho e que o mesmo viria a falecer de fome, a tia dá a ideia de dar o bebê a uma roda que acolhe crianças nessa situação, com o coração partido Cândido pega seu filho no braço e vai o mais lento possível pela rua onde o entregaria a roda, entretanto, no meio do caminho tortuoso ele avista a escrava procurada mais valiosa da redondeza, então, ele deixa seu filho com um desconhecido na farmácia que passava em frente e captura a então escrava que implora que a solte, argumentando estar grávida e apela para sua situação, tentativa frustrada pois Cândido a leva pra seu dono e acaba presenciando um aborto espontâneo dessa mulher. Ele volta para casa com seu filho e o dinheiro que salvaria sua familia, e tenta amenizar seu coração que arde com a culpa, finalizando o conto com:

” Nem todas as crianças vingam, bateu-lhe o coração”

BOOOOOOM, agora é a parte que eu me passo por critica literária competente o suficiente para falar de Machado (meu intimo amigo).

Esse conto me passa várias impressões, primeiro achei que o titulo fosse me remeter a machismo e feminicidio, depois vi que o titulo ia bem além do que eu imaginava, gostei muito de como a trama foi se desenvolvendo, jurava que a criança seria rapitada pelo carinha da farmácia mas correu tudo bem, e por último e mais importante, AMEI a perspectiva de decisões que machado põe em discussão, até onde prejudicamos o outro pelo que é nosso?, até onde podemos machucar outrem para nos manter inteiros?, Machado é um poema em forma de homem e deixo aqui minha enorme gratidão por ter acesso a obras tão excepcionais.

Publicado em meus projetos

VOLUNTÁRIA NO PRESIDIO ?

É GALERA,SOU VOLUNTÁRIA JURÍDICA

Um projeto que participo que volta e sempre preciso explicar é o de auxilio jurídico penitenciário, Basicamente, é um grupo chamado ALÉM DAS GRADES ( projeto de extensão da UFPE) que presta auxilio a comunidade carcerária do Recife, tenho o maior orgulho de fazer parte de algo tão humano.

Funciona de forma simples e prática, temos um documento da SERES e com isso temos acesso permitido em presídios, como vamos atuar depende da direção da casa de reclusão mas até hoje não enfrentamos grandes percalços (ainda bem), talvez isso seja pelo meu pouco tempo de membro, mas prefiro acreditar que as coisas são simples rsrs.

” AH MAS VOCÊ DEFENDE BANDIDO?”

Não sei bem oque é bandido, devem ser as pessoas que erram e prejudicam outras, mas ai todos nós já fomos bandidos uma vez na vida, não é? ( vamos lá, sem hipocrisia nessa pegunta); eu digo que ajudo a justiça, ou pelo menos tento.

ATENÇÃO, PARÁGRAFO PARA ESTUDANTES DE DIREITO

Sendo mais prática, o ADG é um oportunidade excepcional de ganhar prática juridica, quem quer seguir a área penal como especialização então… UUUUH lugar certo hein pai.

CONTINUANDO PARA EVERYBODY

Entrar em contato com a realidade existente por trás das sentenças de juizes, das reportagens sensacionalistas e dos rótulos preconceituosos te faz ser humano de verdade, te dá coragem e perspectiva de vida, te faz abraçar os erros como formas de melhoria, não mais de revolta ou tristeza. BOM, talvez eu só seja muito apaixonada pelo projeto de extensão da UFPE, ou talvez, eu realmente tenha escolhido a profissão certa e tenha consciência dos passos que devo tomar.

Contar para os meus pais foi um barato, minha mãe ficou 1 semana sem falar comigo com medo que minha cabeça fosse cortada, ou minha familia perseguida. BOM, prefiro e preciso acreditar que farei amigos e que ajudarei essas pessoas, tudo envolve riscos então não faz mal assumir um que te faz um humano melhor.

Publicado em comentário literário

Você pode mesmo falar ?

Essa semana conclui o primeiro livro da coleção FEMINISMOS PLURAIS, da Djamila Ribeiro que tem como primeiro título ” O QUE É LUGAR DE FALA”

O que tinha de interessante? com certeza todas as linhas são interessantes e digo mais, necessárias para uma construção pessoal respeitosa e inclusiva. Djamila não fala só sobre sua visão, traz outras pessoas com outras falas e assim que monta o repertório do livro, oque é extremamente interessante em temas como esse, onde contar com outras opiniões pode ser um risco a concretude e afirmação de uma única.

Durante todo livro fiquei matutando ” será que eu fui tosca e me coloquei quando não deveria?” é tão normal a gente querer defender oque acredita ser correto ou bom que as vezes esquecemos que nossa fala pode não contemplar a tal realidade, e ai? e se seu desejo de ajudar for revertido em prejuízo para uma luta de anos e enorme grau de importância. É essa reflexão que o livro traz em suas linhas ( não excluindo as outras discusões que a obra traz).

” O lixo vai falar, e numa boa” LÉLIA GONZALEZ

Introduz o livro essa frase nem um pouco suave porém realista e condizente com a reflexão proposta no decorrer do texto.

Assuntos como o feminismo negro são claramente explicitados e explicados na obra, é uma temática que gera questionamentos do tipo :

” ah! mas se elas querem igualdade como podem criar uma rachadura no movimento feminista?”

Será que realmente está sendo criada uma rachadura? , será mesmo que elas não estão lutando por igualdade?, quem quer que forme opinião sobre essa temática precisa NECESSARIAMENTE de um conhecimento prévio do que é mulher, do racismo estrutural brasileiro assim como da invisibilidade da mulher negra que não é considerada MULHER. Choca muito a propriedade com que o livro é escrito e mais ainda a veracidade cruel que ele transmite.

Será que uma mulher negra é vista como mulher ou antes como negra?

Sem ter a presunção de que esse texto será lido por outros que não sejam meus amigos mais queridos, e sem o desrespeito de diminuir os meus amigos que aqui estão, SE você leu até aqui… leia essa obra, é minuscula e li em 2 dias ( estava de férias, me dá um desconto), mas em uma tarde se pode concluir e não correr o risco de roubar o lugar de fala de alguém, ou pior, não saber o que é lugar de fala.

você vive no meu mundo? então sugiro que leia. ( se você não é daqui peço que entre em contato, preciso de uma passagem para sua galáxia)